Com os olhos suados

A gente sabe como é criar muita expectativa sobre alguma coisa, né? A chance de se decepcionar é enorme. Mas, minha expectativa era grande ontem, não posso negar. Tanto que fui para o Teatro Municipal bem antes do show da Orquestra Mundana Refugi, queria ver a coisa se formando no palco ainda vazio, sabe?

Pois bem, cheguei um pouco atrasado por conta da chuva, mas no ponto no qual se ouvia uma bateria, um instrumento árabe desconhecido, uma cítara e um contrabaixo. Uma world Jam empolgadíssima com tudo ainda desligado enquanto técnicos de som passavam por todos os lados naquele emaranhado de fios para 19 músicos se apresentarem.

Foi ganhando corpo e na primeira vez que um “geral” soou… Sim, foi falta de ar. Não bastasse toda história por trás desse grupo, uma história de resistência, acolhimento e solidariedade, quando todo esse mundo se encontra musicalmente é uma energia nítida que percorre os pêlos da nuca e faz os olhos suarem.

Durante a passagem de som é possível identificar os papeis de cada um, de onde eles vêm, de qual horror fugiram e cada nota que sai do pulmão de alguém ganha um significado único e necessário no mundo de hoje.

Saio da passagem de som, um pouco atordoado, tomo um café, combino algumas coisas técnicas com o cinegrafista sobre a entrevista que vamos fazer mais tarde com esses artistas e volto para a plateia.

E nas quase duas horas que a música preencheu o Teatro Municipal de São José dos Campos e hipnotizou de verdade o público presente, não houve barreiras, fronteiras, credos, cor, enfim, diferenças. “Imagine”, do Lennon, descreveria com exatidão esse éden.

Hoje, um dia depois, basta lembrar os sorrisos quando fui conversar com eles e alguns momentos desse show para os olhos suarem de novo. Só a música faz isso. Amém.

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