Música de garrafada

Ontem o sábado do Mês da Música foi tipo “Baiano Raizêro”, sabe? Não sei se ele ainda existe, mas quando era pequeno lembro que servia pra tudo a garrafada dele. Curava de unha encravada a coração partido em algumas doses de um líquido escuro que só ele e Deus sabiam o que continha.

Ontem foi assim.

– Tem pra cultura popular, moço?

– Teve, Dona Maria! A Banda de Santana saiu em cortejo pelo centro da cidade. Mostrou o trabalho que já é feito a muito tempo na preservação dessa manifestação e levou para quem menos esperava uma cura logo cedo: música!

E foi “tendo”, entende? O dia todo na FCCR rolou o Tributo à Música Autoral, um projeto idealizado pelo coletivo Movimento B há algum tempo, mas que ganhou forma na edição passada do Mês da Música.

No evento: feira de arte, mesas de debate sobre gestão de bandas e o papel das mulheres na música, feira vegana, food trucks, e música, muita música. Do passeio gostoso pelo ritmo dos Filhos do Mundo ao peso bem feito do Manger Cadavre. Do emocore adolescente do Personas ao rock instrumental trabalhado e destruidor do Macaco Bong. Das ramificações eletrônicas que passaram pelas novidades do Pessoas Estranhas e da diversidade paraense do menino Jaloo até o Teatro Municipal, onde Beethoven fazia o público se emocionar pelas mãos dos músicos da Orquestra Jovem do Estado.

Foi música de garrafada nesse sábado, pra curar de olho gordo a caso mal resolvido com a cerveja, pra fazer a alma ficar pronta pra próxima.

Que venham mais doses.

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