Um clássico

Em 1974, a gravadora Philips queria lançar um disco que comemorasse os 10 anos de contrato assinado com Elis Regina. Então, André Midani perguntou para uma das vozes mais belas que já habitou um palco nesse mundo o que ela queria de presente. A resposta foi: gravar um disco de músicas do Tom Jobim.

Na realidade, esse disco traz histórias, muitas. Elis vivia um momento contestado na carreira. Havia cantado nas Olimpíadas do Exército e feito convites para Caetano e Chico para gravarem esse presente da gravadora. Os dois não aceitaram pela simpatia de Elis com o regime militar. Além disso, a cantora recebia críticas sobre seus trabalhos recentes acusando de um flerte muito popular e raso.

Nos Estados Unidos, Tom Jobim nem imaginava que a produção do pianista César Camargo Mariano incluiria instrumentos elétricos na bossa nova, mas recebeu o casal de pijamas com uma rosa na mão embaixo do guarda-chuva. Morando lá e obtendo muito mais reconhecimento fora do Brasil, o maestro já não circulava nos papos de botequim.

Sendo assim, “Elis & Tom” é um disco que traz de volta o maestro para o País e expande e coloca um eixo na carreira da cantora. Torna-se um clássico quase que imediato e guarda algumas das mais lindas canções brasileiras.

No Mês da Música, Ana Morena e Raul de Sá interpretam com maestria esse álbum há quase dois anos. Acontece logo pela manhã, às 10h30, no Parque Vicentina Aranha, ou seja, vários presentes num lugar só, logo cedo no domingo.

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