Chorinho americano ou Jazz brasileiro?

Os dois nascem ao mesmo tempo, cada um com sua influência rítmica e harmônica, mas com semelhanças contextuais e musicais tão próximas que o ditado sobre galinha e ovo parece ter nascido junto com eles.

O jazz e o choro nascem no final do século 19, ambos ramificados de gêneros musicais que vieram das camadas pobres e escravas da população, os espaços de improviso nas melodias são infinitos tanto no cavaquinho como no trompete, têm temáticas líricas extremamente semelhantes cada qual em seu contexto social, e por fim, tocam na alma.

O Mês da Música celebra de alguma forma os dois gêneros, mas hoje a aula é de jazz. E claro, não é minha, afinal, têm dois sujeitos talentosos que sabem tudo sobre isso e muito mais do que eu. Um é guitarrista, belga que escolheu São José dos Campos como residência há muitos anos, formou algumas gerações de músicos na cidade e se você quer uma tarefa impossível, tente encontrar alguém que desconfie do talento de Benoit Decharneaux.

O outro é um DJ estudioso, daqueles que fuçam a raiz de cada timbre buscando o original, o intacto. Felipe Goulart passeia em tantos gêneros que alguns nem sabem que do mix da balada ele pula para um Coltrane com a naturalidade de tomar um café. No caso, pode ser uma cerveja, afinal conhecer as receitas lupuladas também é um talento do rapaz.

Hoje, no Galpão Atino Bondesan, Benoit chega com um quinteto – pode esperar o melhor de cada instrumento – acompanhado do Felipe Goulart numa tarefa pra lá de saborosa: um passeio ao vivo pela história do jazz. Entre uma e outra do quinteto, vídeos e mais música te levam até esses caminhos.

E o choro?

O de hoje está garantido pela emoção, o outro a gente fala em um próximo capítulo dessa viagem.

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