O capítulo progressivo do Mês da Música

A gente podia ter contado esse capítulo em duas partes, mas todo mundo junto é sempre melhor. Uma das coisas mais legais de acompanhar as apresentações desse Mês da Música é ter uma visão geral do evento. Cada show tem sua característica única, é óbvio, mas quando você está dentro do quebra-cabeça, percebe a junção das peças com maior clareza.

O capítulo progressivo começou na quinta-feira à noite, com o Bike e o Rakta. A primeira é o progressivo roots, manja? É fácil transpor os meninos para um palco de 1969 na Inglaterra banhada de ácido lisérgico. É inevitável a comparação com a fase Sid Barret do Pink Floyd, mas ao mesmo tempo consegue não soar datado por conta das influências e talentos de seus integrantes.

O Rakta, convidado pelo Bike para fechar a noite, é uma viagem diferente, mais industrial e pós-punk britânico, timbres à New Order, batida menos orgânica e climas sombrios e pesados criados pelos teclados e samplers. Mostra um caminho diferente da evolução do rock progressivo na sua essência, como mostra o Bike.

E aí, na segunda noite, essa feita em parceria com o Sesc de São José dos Campos, Arto Lindsay. Que é uma história de evolução experimental por si só, mas com uma raiz na música brasileira dos anos 70. É como se o gringo tivesse tomado água de Irará.

Evolui do pós-punk americano de Velvet com um pé na Tropicália, mas com uma guitarra primitiva, que surta em ruídos colocados em seus lugares. A cozinha da banda coloca ordem no caos e garante estrada para viagem do guitarrista e do tecladista, que preenchem as cores desse quadro com tons mais gritantes.

É uma viagem, sim. Mas não dessas que você está pensando, de doidão. Muito longe disso, é uma viagem sensorial por meio da música. Aproveite, ainda tem chão no Mês da Música.

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