Descobertas

Imagine entrar no CBGB no final dos 70 e uma bandinha nova chamada Talking Heads estar se apresentando. Pode ser também no The Cavern, final dos 60, onde uma tal de Beatles também fazia seus primeiros shows. E você pode sair por aí procurando exemplo atrás de exemplo e a leitura hoje seria completamente diferente daquela sensação.

Podia ser um som ruim, talvez nem perto do que conhecemos hoje dessas duas bandas que citei? Claro, que podia. Os Beatles, por exemplo, ficaram dois anos tocando em Hamburgo, na Alemanha, antes de voltar pra Inglaterra. Foram aprender a tocar porque a banda era ruim de verdade antes disso.

Mas, se você tivesse ido em algum desses shows, teria o privilégio de ter participado da construção da história. E por que isso não seria possível hoje? Claro que é. Basta sair de casa e procurar algo novo, ir até um show de quem você nunca ouviu falar, estar aberto para o novo e a para a possibilidade de gostar de algo que você nunca experimentou.

Pois, salvas as pretensões de comparações artísticas, ontem o Mês da Música me mostrou uma descoberta das mais lindas. O que ouvi de Mariane Claro antes do show foram as músicas postadas no Youtube. Hoje em dia isso serve para te dar uma ideia, mas nunca para definir se é bom ou não, porque a produção está tão acessível que até banda que não existe fecha turnê na Europa (procure no Google, isso aconteceu mesmo).

Mas, na passagem de som já era possível ver que a noite prometia. Pouco público no Museu Municipal, só os mais espertos e abertos ao novo. Os privilegiados que ali estavam assistiram um show dos mais delicados, sensíveis e gostosos do Mês da Música.

Com uma banda enxuta – piano, contrabaixo, violão e percussão – Mariane cantou coisas próprias, de parceiros e de gente como Elza Soares. Desfilou afinação e regeu a apresentação junto com os músicos. Interpretou com alma.

Torço por ela e por mim. Quero poder dizer daqui uns anos que fui num showzinho bem intimista, quase só pra mim, dessa moça talentosa.

Compartilhe

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *