DJ não é músico, mas é maestro

Não chame Seu Osvaldo de DJ. O mineiro de Muzambinho gosta de ser chamado de discotecário. Foi assim que ele começou em 1958 a tocar nas domingueiras do Edifício Martinelli, em São Paulo. Percebeu que o público crescia e decidiu alugar um ponto no centro que batizou de Orquestra Invisível Let’s Dance. Nascia o primeiro baile Black do Brasil.

De Osvaldo Pereira ao Baile da Bonita a história é longa e cheia de grooves deliciosos. Tudo no vinil, DJ ligado na pista e na pick up, fazendo a leitura da noite e decidindo que horas sai o beijo ou quando todo mundo vai suar no passinho.

O DJ não precisa ser músico, aliás, quando pode ser chamado de DJ, também deixa de ser músico. A percepção dessa figura é maior. Existe a obrigação da intimidade com o ritmo, aquele ouvido a mais, precisa ter noção de tempos e andamentos, enfim, necessita algum conhecimento teórico de música sim, mas a sensibilidade para reger um baile não exige só isso.

Precisa saber qual a hora certa de fazer a vitrola se transformar numa “Sex Machine” ou sacar a alegria de um homem com a gravata florida para mandar um Benjor. Pequeno Michael com os irmãos ou a linha de baixo matadora de “Billy Jean”? Como manter um fluxo natural de Marvin Gaye pra ganhar um “Little Respect” da Aretha sem fazer a pista parar?

O coletivo Menina Bonita Sambasystem foi criado para preservar essa história que nasceu com Seu Osvaldo. A cultura do vinil e o groove dos bailes fizeram com que essa galera criasse o Baile da Bonita. Uma edição especialíssima rola hoje, às 22h, no Galpão Altino, na Fundação Cultural Cassiano Ricardo.  Hoje é dia de dançar como dança um Black, já dizia Gerson King Combo.

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