Que noite foi essa?

Desde o início do Mês da Música a expectativa pelo show do Bixiga 70 era grande. Não seria diferente até pelo tempo da última passagem da banda por São José, no palco do Sesc, há quatro anos. Mas o que se esperava era um show memorável e quem esteve ontem no Clemente Gomes não vai esquecer tão cedo do que viu e ouviu.

Antes de falar do Bixiga, a banda carioca El Efecto foi além das expectativas. Confesso minha ignorância: não conhecia nada do som deles. Mas a abertura da noite já foi um presente daqueles. Com uma mistura de quase tudo que se pode imaginar, essa galera passeia do gipsy punk do Gogol Bordello às guitarras baianas de Dodô e Osmar.

Muita criatividade nas melodias, um som cheio de arranjos bem trabalhados e letras repletas de boas referências políticas. Num momento do show surge o 20 de junho carioca: “eu vi o choque correr de Black block”. Essa hora o público já lotava o espaço e crescia.

Da primeira nota do show do Bixiga 70 até o “até mais, São José” foi um atropelamento por uma massa sonora hipnótica. Muito talento individual num palco só pode ser um problema, mas não pra esses caras que resolveram só somar e respeitar espaços.

Um dos momentos que ficará como imagem desse Mês da Música aconteceu ontem quando o trombonista tocando notas imperativas em seu instrumento pedia para as pessoas se abaixarem. E se abaixaram até explodir outra vez no nível de loucura definido por Jack Kerouac. Também prefiro os loucos por viver.

O Mês da Mùsica acaba hoje, que também pode ser chamado de “o primeiro dia do resto da minha vida e da sua também”, com toda licença mutante.

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