Foi um ato de liberdade

Várias vozes decretaram o fim do Mês da Música na última sexta-feira, dia 30. A apresentação do Coro Jovem Sinfônico, mostrando Arias de óperas consagradas, terminou com palmas e gritos de “bravo, bravíssimo”. Tomo a liberdade de estender esse cumprimento ao mês todo.

Bravo é montar uma programação sem amarras, levar arte para todos os cantos da cidade de forma gratuita e reconhecer os sorrisos de quem aproveitou. Bravíssimo é apostar no novo, no diferente e na liberdade de escolha.

Sim, a arte livre garante sua liberdade. Você aplaude ou vaia, reclama ou enaltece, se quiser. Mas o mundo não precisa ser só da cor que você gosta. Nesse contexto, o Mês da Música foi um ato de liberdade. Do tecnobrega andrógino de Jaloo até Mozart sob as bênçãos de São Benedito. Sem nenhuma barreira, a música ocupou São José dos Campos.

Esse é o papel. A arte é um exercício contínuo de transgressão, o que lhe confere uma importância social imensa. Ao transgredir, aponta caminhos e soluções que não tínhamos pensado. Pode ser fina, elegante e sofisticada ou pode ser tosca, malcriada e brega. Substitui um diálogo no qual as palavras não são suficientes. A sociedade que não permite essa liberdade fica pobre, sem alma e sem criatividade.

As vozes do Coro Jovem Sinfônico ainda estão ecoando no Universo, viajando no tempo junto com outras tantas notas que partiram antes. Mas sendo perseguidas por outras novinhas que devem estar saindo de algum palco, estúdio ou quarto adolescente enquanto você lê esse texto. Porque tem essa também: tentar calar a essa voz é como tentar tapar o sol com a peneira.

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